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Fotografia tirada por Vincent FrankEu e minha família emigramos de Apatzingan, Michoacan, no México para Los Angeles em 1975. Essa experiência de deixar uma terra para outra, tendo que constantemente redefinir o que significa ser uma pessoa, um homem e parte de uma outra comunidade, é um tema central no meu trabalho, assim como idéias de amor, desejo e identidade são constantes, me consumindo e ditando tanto a forma quanto o conteúdo da minha criação.

A maior parte do meu trabalho é feita em grafite sobre papel, tela ou madeira. Cada vez que crio uma nova peça é um processo intenso que consome centenas de lápis grafite e muitas horas para concluí-lo.

Como técnica de base aplico várias camadas de gesso com pincéis grossos deixando um certo relevo e textura no meio que estou usando no momento. Depois de cada camada de gesso salpico uma camada suave de areia, um processo que deixa linhas de alto relevo como num tecido gorgurão. O resultado é uma camada entrelaçada que não só serve de textura na própria superfície mas também como base pro meu desenho ou trabalho.

Eu prefiro desenhar meus temas como uma cadeia de ilhas isoladas num vasto oceano. Os personagens, assuntos ou historias aparecem através várias camadas de linhas que se cruzam, incubando e ao mesmo tempo revelando o que acaba por se desenvolver como tema. Assim, as tais linhas calculadas, dançam com a fluidez da tinta molhada ou lápis e criam a ilusão de profundidade e realismo.

Meus desenhos são como um diário pessoal, catalogando inseguranças, insultos e lembranças dolorosas de um passado vivido e relembrado. Cada peça se torna um cobertor de grandes dimensões, que conforta e ao mesmo tempo sufoca. Mas para quem está disposto a ir mais fundo, minha arte também serve como um roteiro otimista retratando uma certa intimidade e uma luta honesta contra o ódio e traição, o que, em última análise, pode também conduzir à salvação e redenção.